Soturno desencontro

Noite plenilúnica, interminável diálogo de nossas almas
Não fadiga, por compaixão, domínio telepático teu?
Era no princípio, reino garrido, só o encanto de Morfeu
Tempos outros, são agora contentos em pedras amálgamas.

Resisto a desejos indizíveis por cálido respeito
Ao zéfiro sudeste que lambe minha face e sussurra afagos
E em tuas lânguidas mãos os bebo em finos tragos
Dos amores que soluçam em meu peito.

Em teu paço o sono vem a perturbar minha condição
De qual satisfeita contemplação a bela ária tua
Não há viver que esconda verdade tão crua
Que ao infinito mirar formosa perdição
               desvairada a banhar-se de lua
Desencarno nos céus e me derreto por visão
Ao calipígio teu que em dorso te percebo nua
Suspiro ao último fôlego de teu passo pela rua
E na poesia resigno a concebida lamentação.