Flagelo

É por não poderes que me queres?
Menina, toma fiel pela mão
A indecência que te fere
Com um pobre amor temporão.
 
E quando envelheceres então
Navega imprevisível ao vento
Que te guia com paixão
Ao meu couro sedento
 
E nesta busca incrível
Para que sejas minha
Para que seja teu
 
Estaremos juntos, para nunca mais
Atrelados a um derradeiro cais
 
Em epígrafe:
Um homem, uma mulher – aqui jaz.

Morcego violeta

Voo às cegas, todo ouvidos, quedo-me contigo.

Hei de estar dependurado 

Se me lembrares terno, um amigo,

Teu vampiro alado.

Se me alimentas com as graças tuas

Escreves com sangue para o animal

Que te enxerga sob a lua

E do teu espírito se faz comensal.

No meio-dia me senti grávido,

Pensei: é poesia!

No ávido ocaso lamentei.

Era pandemia.

Oh fábula de mim, destino que contenta!

Não permitas que passe por farsante

Este que por descuido comenta

Quem foi teu amante.