Laissez faire

Today I woke up for finding out the sunrise would be at 7:48am
Isn't that great? Even the dearest lamb got late
And for that I stayed in underwear, dancing alone on the haunted room
Dragging my feet over all the dirt and broken tiles until I got enough
Ecstatic
To touch the switch and let the electricity shock me a little
Once that
the world and its mean people
Do not get me impressed anymore.

Mediocrity is the new sexy, baby
Come on
Chasing money to freedom
We all dress to get undressed
Forever expires in 6 months
And society became as liquid
As my Fireball.

Nasty!
Sure
Blue agave, premium turf, chardonnay
But
Cheap moonshine too.

Art can only be conceived by sexual intercourse
Between will and hope
And when they fuck, oh boy I gotta tell ya
Pretty twins are born
And their names are laze and despair.

Ranger label

My truck looks like me
I see those halfway tires and I can see my legs
Broken, hurt, tired columns of bones and muscles that sustains me
But somebody can tell that my truck has more wheels than I have got legs However
Sometimes life puts me on all fours. Degrading, but still rolling.
My truck looks like me
With two doors that open anytime to let people in
Just like my arms were made to hug.
My truck has a broken grill and it has some semblance of my nose. Strong steel, but plastic too. My truck is not the stiffest
Because neither am I
And I guess neither are you.
My truck has only two seats although a third
Momentaneous
short timed companion
can fit in.
My truck looks like me with its multiple colors. It is red
But gray, also white with its shades.
My truck needs work and it clearly speaks about me
Whose interior craves cleaning.
Naturally it sounds loud. My truck snores and I rev up.
Muffler? Hustler?
We are both old and it doesn't cost a dime to treat it right.
Oil change and water where it must. Some things work better if wet
And the valves, oh the valves!
like my heart, endless pumping of fluids.
Can you feel it? A robust flow
They come and go
through arteries and tissues.
Machines will fail, exhaust will fart.
And the mind will have issues.
But a pipe ages and when it does it drips.
Steering can get loose. In the morning a kick start.
Ungovernable? We both can act like pricks.
But nothing can stop, not even clutch leaks
A great and solid engine V6.

The claw tearing me up

There are ashes around my bed
and the song playing does not fit
the situation
Am I mad? Am I lazy? Am I a
single powerless piece of human labor exploitation?
Whistle, ladies and gentleman, because I've come
to let you know
what is inside and its
origin from.
A pumping heart means chemistry in action
and that is exactly
what we don't have, baby

Black Mirror

One is anxious and boredom is a
Hungry ghost

For entertainment it offers
Politics
For wisdom it has
Short quotes

You may mock just for fun
Once happiness comes
With hard thumbs up
Or double ephemeral taps

Only fans knows the real deal
Which means to be
Viewed
And noted
And monetized
But never touched

Crypto fucking stockings algorithm monitored cookies!

Dark
Pretentious waters
Realm
of appearance

Into the madhouse the same jiggle
Of butts
And on the dance floor
shallowness chokes sanity

Is it faking contagious?
Is it foolishness airborne?

When your screen is off
All you see
Is you

Perfume, mel e outros desejos

Sou feito de luxúria e dor

Sem pudor tu és a linda vivente do anoitecer
Flor virginal, efêmera de torpor úmido que esvai
Se alimenta do que atrai
E saciada vem a fenecer

Há um ponto cardeal na carne tua
e o tempo, como os lábios teus,
é pequeno e casual
Mas grande é a sede do marujo entorpecido
Cujo norte se guia à conquista crua
Das águas que enfrenta a nau

A saber
Se o preço é a insânia e o perigo apetecer
Rio e me endivido
Quando no poente me aqueço
A querer-te como deve o querer

Calo tua fala com o falo

E por prazer te faço ouvida
Ao gemido de um oral abalo
Embebido em fluido denso
E embalado pela coisa arisca

Intenso como um descuido
Devorar-te o orvalho
É o que anseio por toda a vida.

São Carlos, 10 de julho de 2010

A paz, o pacto, o ato ineficaz

Não fui o primeiro a ousar o acordo e o mundo
Esse mundo doente do homem que mente
Ainda há de gerar muito tormento
Para que outro iníquo assobie o trítono
E da matéria incendiada a fumaça dê a forma
O cheiro e a desesperança
Da estrela príncipe da manhã.

Poder, êxito e dominância
Oh, serpente, eu invoco a tua presença
De valores invertidos
E virtudes controversas
Com a voz da minha ganância.

O diabo apareceu
Porque o diabo é diferente do irmão
Que tudo ouve e nada diz.
Não é vermelho e dos olhos não salta facho
Não veste capa nem coisa alguma
Caminha de couro despido
E não nos dá as costas.
Anhanguera oferta ouro mas também esconde o rabo.
Satanás é exibido e entre as pernas mostra o sexo
Posto que sem nexo e muito rígido
Aponta para baixo.
Não exala enxofre como se quis
E embora nu, o cão veste sapatos
Pois tem pés imaculados.

Mamãe me disse que quando em face de um dilema
Eu me furtasse a frieza e fosse só humano
Demasiado humano.
Que não me ardesse em indiferença.
Ora, essa é a fantasia do tinhoso, que sejamos mais crus e
Que andemos, como ele, todos nus!

Em troca de favores ofereci a alma
Mas esqueci de maldita saliência que define o coisa ruim
            Não se atém à boa vontade
            E ama o enfado das escrituras
            Que condena homens em verdade
            Às clausuras eternas
            De temas do pecado.

No semblante daquele bicho um prazer desgraçado emanava dissabores
Tão claros como discretos e simples e complexos sobre o rosto enrugado.
Sorri e fica sério
Diz que sim mas não convence
Faz mistério. Faz assim.
É a sombra do adultério.
É o vício que sempre vence e a inconsequência que o antecede.
É o querer e o desamor e a delinquência e a harmonia.
É a nota aguda.
É sob as roupas o calor.
É a fantasia. É a recusa de ajuda.
É a autofagia.
É ele, somos nós, quem sois vós?
Antropofagia! Ator do ato trágico. Da carne à carne
Um mágico! Um profeta! Um renegado!

Diferente dEle, o mofento é sarcasmo e ironia. Afina o bigode e aperta o laço.
Cruza as pernas e aumenta a aposta.
Mais sem ter menos, o tal venha a nós mas sem o vosso reino.

Pé de cabra, sete peles, teu número é engraçado!

Vi arcos se contorcerem e a luz se alterar e a terra chacoalhar
E das ventas saltar vapor
Quando acusei no maledetto a própria semelhança
Das mudanças de humor.

O vidro polido se rompeu
E percebi em pedro-botelho
O mais assustador e incensurável.
A lembrança de tudo o que aprendi, de tudo o que se leu.
No espelho reconheci o fardo incomensurável
De que aquele sujeito era eu.