Calmaria

Há fumaça ao redor de mim. O incenso queima com ares asiáticos. Veio de lá. Eu me queimo em mim mesmo com aromas amargos. Vim dali.

A neve castiga o exterior da casa. Cá dentro fervemos leite vegetal, frutas, proteína do arroz em pó e óleo de coco. Bebemos, mas sem a expectativa de nos embriagar. Que pena.

Saí e fumei um cigarro. Metade dele, porque lá fora faz -6°C e eu não pude aguentar. A gente aguenta pouco, as vezes. Isso não se aplica a bebidas alcoólicas e aos amores. Nesses quesitos aguentamos mais do que o imaginado, sendo o limite sempre possível de ser alargado.

Vi um gavião voando em plena nevasca. Imaginei que eu, no lugar dele, faria o mesmo. Voaria, não importasse o quê. Até morrer, de frio, de fome ou de feio que sou.

Quando a indigência da obviedade contamina, afastam-se os livres. Outra pena.

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