Ao rapaz oblíquo dos olhos

dedicado a um rapaz cego que não conheço, mas vi receber o diploma de bacharel em direito pela Universidade de Brasília.


Alcançareis um dia grande distância deste solo

E então sabereis de onde vem tamanha luz

Essa fúlgida de quando o pai aninha no colo

O filho cego, que o braço firme conduz.

A vós pouparei das perfídias mundanas

E por séculos hei de levar comigo o idílio

Escrito quando atentei em vossa membrana

Acolchoada e tão viva, em espectral exílio.

_

Anjos sem visão, qual inveja desenho

De mirar vossas pupilas e encontrar

O profundo sublime que não tenho

Agora que passo noites a lembrar

A magia de sob vossas lágrimas crer

Em olhos que choram sem fenecer.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s