Pede cachimbo

Porque hoje é domingo!

Há tipos e tipos de homens. E eu falo mesmo sobre homem, gênero masculino. E, não satisfeito, tenho de ser curto pois assim harmonizo com a brevidade de atributos que detém o homem comum, medíocre, de hoje em dia.

O sujeito dominante, a exemplo de uma cultura rasa que dita o tom da contemporaneidade, é do tipo que envergonha o macaco quando se cogita provar que o humano descende do animal. Pouco (ou nada) lê, forma opinião baseado em mecanismos psicológicos de frustração e afirmação e projeta nas aquisições materiais aquilo que o espírito jamais poderá alcançar: elevação. Na falta de intelecto, um iPhone novo.

Esse medioso é do tipo que dobra a roupa antes de trepar.

Ouvi na última semana uma reprimenda de um desses exemplares da raça. Sentiu-se espantado que eu deixei de postar as minhas viagens e andanças pelo mundo. O gajo sabe que eu tenho um blog e que aqui escrevo sobre aventuras, opiniões e gracinhas não documentadas. Mas o blog exige esforço de leitura, ou o tal mindfulness da moda. Essas coisas são legais de enquadrar numa hashtag, mas vivê-las de fato… aí é outra história.

Vivem a investir. E que fique claro, antes do desenvolvimento da ideia, que não tenho absolutamente nada contra aplicações inteligentes do dinheiro, inclusive porque preciso aprender sobre o assunto de forma a (alerta lugar-comum) fazer o dinheiro trabalhar para mim. E porque seria bastante imbecil achar que a ignorância econômica pode me trazer algum benefício. Mas o medíocre só concebe como investimento aquilo que trata da contagem de cédulas. Ignora que a contabilização de amigos e aventuranças também tendem a render enormes lucros.

São formadores de opinião. Não da alheia, mas das próprias. Baseiam-se em dialética histórica? Até parece! Tratam-se de colossais usinas emissoras de fumaça vinda da cachola ininterrupta de BLA BLA BLA.

Assustam, ao menos a mim, quando dizem (como ouvi hoje há exatas quatro horas): “não consigo chamar a minha esposa de meu bem, amorzinho, docinho… isso a gente usa quando quer levar alguém pra cama.”

Por isso uma maiúscula parte desse aglomerado leva chifres, uma vez que alguém atento o suficiente percebe que naquela mulher mal cuidada alguns apelidos carinhosos cairão como uma luva.

O melhor fica pro final. Falo tanto sobre lavar louça que já me chegou aos ouvidos as pérolas tais como “Aquiles, lavar louça não é nada de mais. Eu moro sozinho e lavo sempre.”

É. Conhecendo o indivíduo e sabendo da microscópica habilidade que tem, gargalho. Leite com Nescau de manhã, lasanha de microondas no almoço, sanduíche de presunto e queijo no meio da tarde e macarrão com molho vermelho pro jantar. Molho de lata, óbvio.

Um homem de verdade cuida da sua comida como um jardineiro o faz com suas flores. Tudo há de ser fresco, natural e com minimizado uso de produtos industrializados. Faz-se o molho, faz-se o caldo e se faz MUITA sujeira. Só é louvável o trabalho de limpeza da pia quando existem grandes coisas a se limpar.

Muito cuidado com esses que só andam de havaianas e nunca ficam descalços!

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