Muita confusão permeia a cabeça dos indivíduos contemporâneos quando o assunto é render graças ao que, comumente, chama-se “dom da vida“. Uma vez aceita a ideia de que um Deus deve ser temido se torna uma obrigação o ajoelhar e louvar.

Como Espinoza quis ao declamar o seu lirismo, convém enxergar o criador em tantas outras esquinas. Da música do rapper Criolo brota a máxima:

Não precisa morrer pra ver Deus.

Assim procurei educar a minha mente para enfrentar o mundo. Despedi-me dos incontáveis amigos e familiares há exatamente um ano e apliquei um filtro aos meus olhos: hei de enxergar a beleza e a miséria do mundo, com igual justiça. Hei de estender a mão por gentileza e o braço por solidariedade, hei de oferecer sempre os meus ombros para carregar a carga mais pesada, pois meu espírito de camelo quer aliviar as costas daqueles que andam ao meu lado.

Nos picos montanhosos onde o ar é rarefeito perco o fôlego ante a visão das paisagens mais deslumbrantes. A graciosidade do mundo reside, com sutileza, em tudo aquilo que não fala, como o olhar vulnerável do elefante asiático.

O espírito vital que inspira nossas vidas se exibe no silêncio do pôr do sol do pacífico, de igual modo.

O sopro divino está no zumbido da abelha polinizadora.

Osho dizia:

A vida começa onde termina o medo.

Talvez seja essa a maior motivação para aquelas pessoas que temem viajar sozinhas. Se onde o medo termina a vida começa, colocar uma linha clara separando o que é medo e o que é vida é não só aconselhável como obrigatório para quem deseja gozar da existência em sua plenitude.

Comprar uma passagem, entrar no avião ouvindo aquela playlist bem montada, ler um livro novo e anotar pequenos rabiscos que vêm à mente. Chegar ao destino, deixar as malas, ir rumo ao primeiro bar, chegar-se ao balcão e pedir a bebida favorita. É a minha receita para se fazer a primeira amizade, o que deve acontecer em menos de meia hora. Alguém percebe você sozinho e puxa papo. E não existe a viciosa interferência baseada em interesse sexual. As pessoas iniciam amizade baseada em amizade mesmo, sem segundas intenções. E desse novo começo surge o convite para fazer algo juntos no outro dia, de uma trilha a uma visita ao mercado local. Assim se dá, entre os de bom coração, a conquista do mundo!

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