Sobre a “cuestão” da louça

Ora, ora… lavar a louça é coisa muito séria.

Sou um entusiasta dos pratos limpos. Não só pratos como talheres, vasilhas, copos, a própria pia, o fogão, a torneira, a bancada. Tudo limpo, desengordurado, brilhando a afirmar que aquele recinto é regido por finas diretrizes e normas quanto a boa higiene e senso coletivo de respeito ao próximo.

Agora, verdade seja dita, são muito poucos os próximos que se preocupam da mesma forma em proporcionar um ambiente saudável na cozinha.

Tenho amigos de orientação ideológica pendente à esquerda, amigos “terrivelmente” evangélicos, amigas engajadas em levantes sociais, colegas que defendem com unhas, dentes e balas os dogmas militares. Tem de tudo, aqueles que são apaixonados por bebidas alcoólicas destiladas e há, também, quem não abra mão de refrigerante. Literalmente, há colecionadores e admiradores fervorosos de tudo quanto é coisa na face dessa terra.

Raro tem sido descobrir os que dominam, se motivam e pregam a palavra da louça bem lavada. Outra e outra vez, não para a minha surpresa, bebo em uma taça com um leve (às vezes não tão leve) aroma de ovo. O problema? Lavaram uma frigideira do café da manhã com a mesma esponja que depois ensaboou os copos. Aos meus olhos, um crime culposo.

Garfos com restos de comida seca encrostados, evidência clara de que não houve o teste da passada meticulosa dos dedos pela superfície do talher a fim de descobrir as falhas.

E o caso dos potes, vasilhames, tupperwares engordurados? Valei-me! Poucas coisas na vida tem a mesma capacidade de me desapontar como encontrar no escorredor um contêiner plástico dado como limpo porém mais seboso que testa de cozinheiro. Solução? Água quente (quando tem), enxágue da esponja após a primeira lavagem, repetição do ato até que as paredes do referido pote estejam completamente livres das moléculas de gordura.

Em caso de se ter só uma esponja, lave tudo o que contiver ovos com as mãos primeiro, para que o cheirinho não impregne o resto. Em caso de pressa, não lave louça. É um momento terapêutico, extremamente recomendado para domar acessos de fúria.

Você consegue imaginar alguém lavando louça estando com raiva? Não dá, porque assim como apertamos mais forte e jogamos o controle remoto da tv no chão, os pratos seriam vítimas desse descontrole e acabariam por partir.

Lavem louça sim, com a mesma vontade que se rola o feed do Instagram.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s