Que. Absurdo.

Não tem escrita como objetivo final. Tem-se um regurgitar literário após (mal) digerir o mundo. Não escrevo porque desejo que me leiam, mas para que me confrontem.

Aquiles, você dizia antes que isso…. agora diz que aquilo. Faz bem pra quem me contesta, na esperança de me pegar no contrapé, e faz bem para mim que tenho a oportunidade de avaliar as minhas próprias incoerências.

Afinal, o que mais pode definir com exatidão os homens, mulheres e trans de bem do que a hipocrisia? Falar mas não fazer, criticar mas não superar, contornar mas não superar são comportamentos comuns demais, a tal ponto, que aos nossos olhos parece ser normal.

A trapaça vira regra, o jeitinho vira padrão nacional e o sentimento de vira-latas passa não só a ser reconhecido como reverenciado ao status de identidade nacional. Que abismo!

Dia desses estava a saborear um delicioso hambúrguer com amigos, essa iguaria norte-americana que nunca sai de moda. Papo vai, papo vem, a conversa embaraçou no comentário sobre a vida a dois de um terceiro colega. Simbologia plausível para o cenário: a cruz, os pregos e a coroa de espinhos. Respirei fundo, após longos minutos de silêncio frente ao assunto que não me interessa. Tentei emplacar um elogio às batatas fritas, em vão. O assunto preferido ainda era o alheio. Suguei o refrigerante pelo canudo de plástico e forcei a barra incidindo sobre como era barata a refeição ali. Em vão. Silenciei.

Liguei para um familiar que me dá saudades e, antes que a conversação tomasse corpo, já iniciaram as lamentações. Que aquela cidade era isso e aquilo, que as pessoas de lá não eram confiáveis, etc e tal. Pacote completo daquela conversa ressentida de fila de banco. Sabe quando você está lá, há 40 minutos em pé, e o seu vizinho começa a reclamar que sempre demora pra ser atendido, que isso é um absurdo, que vai ao PROCON reclamar… daí ele passa a falar alto e a baixar o nível no tratamento em relação aos caixas do banco… aquela cena penosa de se observar.

Por isso tenho fones de ouvido. Desprezo profundamente as bocas malditas do dia-a-dia. Evito a mesquinharia de hábito.

Tenho asco por fofoca e papo de esquina.

Já dizia Cazuza:

(…)Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade!
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

2 comentários em “Que. Absurdo.

  1. Caro amigo, peço encarecidamente que continue a escrever(digitalizar) seus textos e pensamentos de maneira cotidiana, pois, me alegra muito lê-los e compartilhar de tais experiências vividas por você e transcrita para nós. Aguardo ansiosamente todos os dias minha caixa de e-mail alertar-me sobre um novo post. Um forte abraço.

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